miércoles, 27 de julio de 2011


miércoles, 30 de julio de 2008

Estanco (el poema en la voz de María Do Céu Guerra)


Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.

Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é
E se soubessem quem é, o que saberiam?

Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,

Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Com a morte a pôr umidade nas paredes e cabelos brancos nos homens
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.

Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
E não tivesse mais irmandade com as coisas
Senão uma despedida, tornando-se esta casa a este lado da rua
A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
De dentro da minha cabeça,

E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.
Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu.
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.

Falhei em tudo.
Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
A aprendizagem que me deram,
Desci dela pela janela das traseiras da casa.

Fui até ao campo com grandes propósitos.
Mas lá encontrei só ervas e árvores,
E quando havia gente era igual à outra.
Saio da janela, sento-me numa cadeira. Em que hei de pensar?

Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
Ser o que penso? Mas penso ser tanta coisa!
E há tantos que pensam ser atnesma coisa que não pode haver tantos!

Génio? Neste momento
Cem mil cérebros se concebem em sonho génios como eu,
E a história não marcará, quem sabe?, nem um,
Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.
Não, não creio em mim.

Em todos os manicômios há doidos malucos com tantas certezas!
Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?
Não, nem em mim...

Em quantas mansardas e não-mansardas do mundo
Não estão nesta hora gênios-para-si-mesmos sonhando?
Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas,
Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas,
E quem sabe se realizáveis,
Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente?

O mundo é para quem nasce para o conquistar
E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.
Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.
Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo
Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.

Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda,
Ainda que não more nela;
Serei sempre o que não nasceu para isso;
Serei sempre só o que tinha qualidades;
Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta,

E cantou a cantiga do Infinito numa capoeira,
E ouviu a voz de Deus num poço tapado.
Crer em mim? Não, nem em nada.

Derrame-me a Natureza sobre a cabeça ardente
O seu sol, a sua chuva, o vento que me acha o cabelo,
E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha.
Escravos cardíacos das estrelas,

Conquistamos todo o mundo antes de nos levantar da cama;
Mas acordamos e ele é opaco,
Levantamo-nos e ele é alheio,
Saímos de casa e ele é a terra inteira,
Mais o sistema solar e a Via Láctea e o indefinido.

Come chocolates, pequena; Come chocolates!
Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.
Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.
Come, pequena suja, come!

Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!
Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folha de estanho,
Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.

Mas ao menos fica da amargura do que nunca serei
A caligrafia rápida destes versos,
Pórtico partido para o Impossível.
Mas ao menos consagro a mim mesmo um desprezo sem lágrimas,
Nobre ao menos no gesto largo com que atiro

A roupa suja que sou, sem rol, pra o decurso das coisas,
E fico em casa sem camisa.
Tu, que consolas, que não existes e por isso consolas,
Ou deusa grega, concebida como estátua que fosse viva,
Ou patrícia romana, impossivelmente nobre e nefasta,
Ou princesa de trovadores, gentilíssima e colorida,
Ou marquesa do século dezoito, decotada e longínqua,
Ou cocote célebre do tempo dos nossos pais,
Ou não sei quê moderno —não concebo bem o quê,
Tudo isso, seja o que for, que sejas, se pode inspirar que inspire!
Meu coração é um balde despejado.

Como os que invocam espíritus invocam espíritus invoco
A mim mesmo e não encontro nada.
Chego à janela e vejo a rua com uma nitidez absoluta.
Vejo as lojas, vejos os passeios, vejo os carros que passam.
Vejos os entes vivos vestidos que se cruzam,
Vejo os cães que também existem,
E tudo isto me pesa como uma condenação ao degredo,
E tudo isto é estrangeiro, como tudo.

Vivi, estudei, amei, e até cri,
E hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu.
Olho a cada um os andrajos e as chagas e a mentira,
E penso: talves nunca vivesses nem estudasses nem amasses nem cresses
Porque é possível fazer a realidade de tudo isso sem fazer nada
disso;
Talvez tenhas existido apenas, como um lagarto a quem cortam o rabo
E que é rabo para aquém do lagarto remexidamente.

Fiz de mim o que não soube,
E o que podia fazer de mim não o fiz.
O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.

Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara.
Quando a tirei e me vi ao espelho,
Já tinha envelhecido.
Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.

Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
Como um cão tolerado pela gerência
Por ser inofensivo
E vou escrever esta história para provar que sou sublime.

Essência musical dos meus versos inúteis,
Quem me dera encontrar-te como coisa que eu fizesse,
E não ficasse sempre defronte da Tabacaria de defronte,
Calcando aos pés a consciência de estar existindo,
Como um tapete em que um bêbado tropeça
Ou um capacho que os ciganos roubaram e não valia nada.

Mas o Dono da Tabacaria chegou à porta e ficou à porta.
Olho-o com o desconforto da alma mal-voltada
E com o desconforto da alma mal-entendendo.

Ele morrerá e eu morrerei.
Ele deixará a tabuleta, eu deixarei versos.
A certa altura morrerá a tabuleta também, e os versos também.
Depois de certa altura morrerá a rua onde esteve a tabuleta,
E a língua em que foram escritos os versos.
Morrerá depois o planeta girante em que tudo isto se deu.
Em outros satélites de outros sistemas qualquer coisa como gente
Continuará fazendo coisas como versos e vivendo por baixo de coisas como  tabuletas.

Sempre uma coisa defronte da outra,
Sempre uma coisa tão inútil como a outra,
Sempre o impossível tão estúpido como o real,
Sempre o mistério do fundo tão certo como o sono de mistério da superfície,
Sempre isto ou sempre outra coisa ou nem uma coisa nem outra.

Mas um homem entrou na Tabacaria -para comprar tabaco?-
E a realidade plausível cai de repente em cima de mim.
Semiergo-me enérgico, convencido, humano,
E vou tencionar escrever estes versos em que digo o contrário.

Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-los
E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos.
Sigo o fumo como uma rota própria,
E gozo, num momento sensitivo e competente,
A libertação de todas as especulações
E a consciência de que a metafísica é uma consequência de estar mal disposto.

Depois deito-me para trás na cadeira
E contínuo fumando.
Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando.

-Se eu casasse com a filha da minha lavadeira talvez fosse feliz.-

Visto isto, levanto-me da cadeira. Vou àjanela.

O homem saiu da Tabacaria -metendo troco na algibeira das calças?-
Ah, conheço-o; é o Esteves sem metafísica.
-O Dono da Tabacaria chegou à porta.-

Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me.
Acenou-me adeus, gritei-lhe Adeus ó Esteves!,
E o universo reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança,
E o Dono da Tabacaria sorriu.
Fernando Pessoa

sábado, 26 de julio de 2008

Las Piedras que Ruedan (65)

¡Hoy es cumpleaños de su Satánica Majestad Mick Jagger!
¿Qué puedo decirles yo que quienes lo conozcan para bien o para mal no sepan o juzguen, o quienes no lo conozcan y tengan eso que ahora ya es todo un don y se llama curiosidad, no puedan encontrar en cualquier texto biográfico o de semblanza?... Las Drogas, Los Excesos y el control, El Sexo, Los Excesos y el Control, La ambigüedad propia en toda su Personalidad, el Rock, La Actitud, Los Excesos y el Control, El Carisma, La Fama y el Dinero..., El Mito pues del filósofo Jagger...!
Así que me parece más prudente dejarles aquí este textículo de mi papá José Agustín, que pueden encontrar en sus libros LOS GRANDES DISCOS DE ROCK y CUENTOS COMPLETOS (1968-2002)
Que les sea leve...
LAS PIEDRAS QUE RUEDAN
Yo Miguel y tú Títeres; ellos son el Bruños, el Güilo y el Alto Guataje; siempre wacha bien, las manos en el volante y los ojos en la carretera, aunque este camino sea interminable, oscuro y solitario; está de la chingada, pero, bueno, también de pocamadre, qué relajazo hemos echado, y aquí andamos desde hace cuándo, desde siempre, rolando sin parar, desde que vendíamos al Bruñido a unos viejos puñales que se lo cogían hasta por las orejas y lo ponían hasta atrás de pastas. Puros seconales que lo dejaban como zombi. De ahí viene su época de Gran Ataco. Después llegábamos a una tortería y pedíamos cien tortugas. Cuando ya nos las habían hecho, y nosotros nos habíamos recetado unas veinte chelas por lo menos, había que pagar y decíamos oye, como que con cien tortas no nos va a alcanzar, que nos hagan otras fifty, y en lo que están haciéndolas agarrábamos las bolsa con las tortuguesas ya listas y corríamos al coche, donde el Gran Guataclan ya había prendido el motor. También saqueamos las vinatas para tener alcohol y chelas a pasto y el cabrón de Güilo, muy calladito, sin falta se cagaba en el mostrador. Esa era su firma: cagarse donde fuera, siempre tenía un cerrote disponible para cualquier ocasión. Pinche atascado. Lo veías muy serio, pero cuidado por que te sellaba la casa. El Alto Guataje, a su vez tenía ala pésima costumbre de agandallarse; veía a una chava buenota en la calle, la subía la coche a base de empujones, le daba dos tres guamasos hasta dejarla como idiota, se la llevaba al hotel mas jodidérrimo que podía encontrar, se la cogía cinco veces sin sacar (bueno, a veces, para cambiar de posición); después se largaba y dejaba a la nena volando en la estratosfera, sin poder creer ese deleite torrencial, demencial, hubiera sido de a de veras. Era famosa la verga del Alto Guataje, porque se la enseñaba a cualquiera, después empezó a cobrar por dejar que se la chaquetearan o se la mamaran. En esos se le adelantó siglos a el de Boggie nights. Era un cabrón el Alto Guataje. El Bru, en cambio parecía que caminaba en las nubes, siempre muy suavecito por que estaba hasta la madre, primero por el alcohol y las pastas, que iban de anfeta a barbies, de elevadores a sepultadores, pasando por toda la gama de calmantes montes, después fueron los psicodélicos. 
 
Por mi parte, Yomiguel me las cogí a todas. No distinguía. Si tiene hoyo como sea follo. Ora si como el Milamores: virgencitas que riegan las rosas, casadas, solteras, viudas, divorciadas, chavitas, vetarras, chaparras, altas, flacas, gordas, apretadas, guangas, buenísimas, abusadísimas, pendejas, de todo. Les hablaba suavecito, las envolvía con las palabras y le salía una ternura que nunca hubiera imaginado o la cabronez y valemadrez si hacía falta. El cogedero era en el coche, casi siempre, por que no había varo suficiente para un hotel, pero también en plena calle, o en los baños de los restaurantes, bares y salones de baile, o en el campo, o en la casa de mis jefes, muy calladitos, para que no se dieran cuenta. Ay buey, que metederos de verga; me cae que cogía mas que le Alto Guataje a pesar de que él era  el de la Gran Verdolaga. Después ya se sabe, chocamos, salimos con vida, quien sabe como, el Bruño iba manejando pero hasta atrás como de costumbre y ¡mocos!, derrapamos en la curva, de milagro no nos fuimos al precipicio por que quien sabe cómo el Bruños dio un volantazo, o freno, o sepa, pero el carro latigueo y, chíngale, se untó en la pared del monte del lado contrario. Puta madre, el Güilo se hincó a rezar nomás salio de la nave, chillando, y todos estábamos blancos del susto. No nos paso nada de pura caca. Pero después éramos expertos en accidentes, choques, volcaduras, madrazos contra lo que fuera, no tanto como los de Crash pero ya hasta nos reíamos, que buen chingadazo, ¿no?, mira nomás el sangrerío que me traigo. Bueno, con el tiempo, y como todos, enriquecimos y nos enriquecimos, y dijimos ¿No tengo el dinero suficiente?, ¿no tengo la pinga larga y gorda y se me para hasta rezando el rosario? Perdimos primero al Bruño y luego al Güilo, que decía ser el Ruedasolo, pero llego el Tocamadera, que agarro la onda superbien como si toda la vida la hubiera rolaqueado con nosotros; en tanto nos casamos, tuvimos hijos y todo lo demás: casa de veinticuatro habitaciones en Jardines de la Verga; dos, tres, cuatro, cinco, quince coches, de limo a deportivo, sesenta tarjetas de crédito, teléfonos celulares, note books, catorce teles con pantallas de dos metros, home theater, MP3, dvd, 4DV, internet, microondas y todo lo demás que menciona Renton al final de Trainspotting. Seguimos saliendo de rol los cinco juntos y el debraye era bueno, pero ya no era igual, y con el tiempo, la cuarentena, los años tostachones, el club de los sesenta, nosotros, para entonces la Banda del Betabel, salíamos cada vez menos, pero hasta el ultimo momento me cae que la hicimos, ¿verdad?, o al menos la pasamos chido, por que vivimos a fondo nuestro sueño, nuestra carretera perdida en la mitad de la noche.

miércoles, 23 de julio de 2008

Estévez

El hombre ha salido de la Tabaquería
-¿Guarda el cambio en el bolsillo de los pantalones?-
Lo conozco, es Estévez sin metafísica.
-El Dueño de la Tabaquería se ha asomado a la puerta-.

Como por un instinto divino, Estévez se vuelve y me ve.
Gesticula un saludo, le grito ¡Hola Estévez!, 
Y el universo se reconstruye en mí sin ideal ni esperanza, 
y el dueño de la Tabaquería sonrie.


 

martes, 22 de julio de 2008

¡De Grande quiero ser Cirquero...

...por eso Ahora soy Payaso!...

Durante mi ausencia por este blog me puse a hacer de todo, menos lo que debería hacer :-o. Les dejo un par de audios que hice recordando viejos tiempos con el más texcocano de los cuates de la radio.

Ambos son reverendas jaladotas características de... blablabla, ya saben. El primero salió después de ponerme a jugar con un tono para celular que me pasaron.

El segundo ya ni me acuerdo por qué, creo que me puse muy cachondo seduciendo al micrófono nuevo de locutor profesional que se compró el Ivangonzález, ahijadito predilecto de la Voz de la Generación, ¡CVD! ;)

El caso es que de ahí salió la idea del Acoso radial, que para este caso vendría siendo más bien sonoro, disfrútenlo, y mófense un rato.

Comentarios bien recibidos aquí abajito... son Grátis!!

miércoles, 16 de julio de 2008

Si me casara con la hija de mi lavandera

Si me casara con la hija de mi lavandera

Tal vez fuera feliz, feliz, feliz, feliz..., ¡FELIZ!



En vista de lo cual, me levanto de la silla. 


Me acerco a la ventana...



miércoles, 9 de julio de 2008

Continuaré Fumando

Pero un hombre entra en la Tabaquería 
-¿Para comprar tabaco?-,
Y la realidad plausible cae de pronto sobre mí.
Me semi-incorporo enérgico, convencido, humano,
Para intentar escribir estos versos en que digo lo contrario. 

Mientras pienso en escribirlos enciendo un cigarro
Y en el cigarro saboreo la liberación de todos los pensamientos.
Sigo el humo como una ruta propia,
Y en este momento sensitivo y adecuado gozo
La liberación de todas las especulaciones
Y la conciencia de que la metafísica 
es una consecuencia hallarse uno indispuesto.
 
Me reclino en esta silla
Y sigo fumando.
Mientras el Destino me lo conceda 
Continuaré fumando.